1. Cenário global e geopolítica
O petróleo e a diplomacia entre Estados Unidos, Irã e China dividiram o cenário global, com o fluxo por Ormuz melhorando, mas sem eliminar o risco de novos choques de oferta.
O Brent recuou pelo quarto pregão seguido e chegou a US$ 101,60 na segunda-feira, enquanto o volume de petróleo, cargas e GNL que atravessou Ormuz nas duas semanas anteriores atingiu o maior nível em seis meses. Ao mesmo tempo, ataques houthis contra Riad e a infraestrutura da Saudi Aramco mantiveram a pressão sobre Yanbu e Bab el-Mandeb, rotas alternativas ao estreito.
A trégua do petróleo perdeu força quando as negociações entre Washington e Teerã terminaram sem avanço: o Brent subiu 2,84%, para US$ 98,12, na quarta-feira, e chegou a US$ 106,60 na quinta-feira, acumulando quase 4% na semana. O encontro entre Trump e Xi terminou com a indicação de um acordo amplo e a extensão da trégua comercial até 10 de janeiro, mas sem medidas concretas divulgadas.
2. Política monetária e inflação
O Fed manteve o mercado sob pressão com discurso hawkish, enquanto a ata do Copom abriu espaço para novos cortes da Selic em um ambiente de petróleo, dólar e Treasuries mais voláteis.
Dirigentes do Fed reforçaram que a inflação continua acima do desejável e que os riscos para a estabilidade de preços superam os riscos para o emprego. A probabilidade de uma alta acumulada de 50 pontos-base até dezembro chegou a 53,4%, enquanto a Treasury de dez anos alcançou 5,195% e o T-Bond de 30 anos, 5,479%, máximas em quase duas décadas.
Na contramão, a ata do Copom aumentou as apostas em novos cortes: a mediana para a Selic no fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%, após o comitê destacar desaceleração mais clara da atividade e transmissão dos juros ao crédito. O IPCA-15 veio em alta de 0,25% em setembro, abaixo dos 0,53% esperados, e a média dos núcleos desacelerou, embora serviços e expectativas ainda exigissem cautela.
B3, Mercado/Mundo/Brasil
3. Brasil: Macro, fiscal e política
A eleição continuou como principal vetor dos ativos brasileiros, mas o caso Master e novas revelações envolvendo autoridades do STF elevaram o prêmio de risco e interromperam parte do rali doméstico.
As pesquisas mantiveram a disputa apertada. A Quaest mostrou Flávio Bolsonaro à frente de Lula por 42% a 41% no segundo turno; a AtlasIntel registrou 47,7% contra 47,4%; e o Datafolha, divulgado na quinta-feira, apontou Lula com 47% e Flávio com 45%. No primeiro turno, o Datafolha mostrou Lula com 40% e Flávio com 36%, enquanto a Futura/100% Cidades registrou 40,4% e 38,4%, respectivamente.
O caso Master ganhou novos capítulos com vídeos e mensagens que ampliaram a pressão sobre Alexandre de Moraes, sua esposa, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas projetou superávit de R$ 2 bilhões para as estatais federais em 2026, ante déficit anterior de R$ 95 milhões, enquanto o debate fiscal foi agravado por medidas de transferência de renda e pelo reajuste do Bolsa Família.
4. Mercados financeiros
A bolsa, o câmbio e os juros domésticos oscilaram entre o alívio do petróleo, a força do trade eleitoral e a deterioração provocada pelo caso Master e pelo aperto global.
O Ibovespa fechou a segunda-feira em 185.229,17 pontos, subiu 0,74% na terça, para 186.595,60 pontos, avançou 0,44% na quarta, aos 187.422,92 pontos, e recuou 0,86% na quinta, para 185.814,09 pontos. Na última sessão reportada, caiu 1%, aos 183.965,91 pontos, com bancos e Petrobras pressionados pela piora do risco doméstico.
O dólar à vista fechou a segunda-feira a R$ 5,1442, subiu para R$ 5,1937 na terça, recuou para R$ 5,1029 na quarta e voltou a R$ 5,1937 na quinta-feira. No exterior, a última sessão reportada terminou com Dow Jones em queda de 0,31%, S&P 500 praticamente estável, em -0,02%, e Nasdaq em alta marginal de 0,01%, enquanto o DXY avançou para 101,285 pontos.
Síntese da semana
O Brent recuou inicialmente para US$ 101,60, voltou a US$ 98,12 e chegou a US$ 106,60 na quinta-feira, enquanto o fluxo por Ormuz atingiu o maior nível em seis meses.
A diplomacia entre Trump e Xi terminou com indicação de acordo amplo e extensão da trégua comercial até 10 de janeiro, mas sem medidas concretas divulgadas.
Dirigentes do Fed reforçaram o tom hawkish; a chance de alta acumulada de 50 pontos-base até dezembro chegou a 53,4%, e a Treasury de dez anos alcançou 5,195%.
A ata do Copom reduziu a mediana da Selic no fim de 2026 de 13,50% para 13,25%, enquanto o IPCA-15 subiu 0,25% em setembro.
As pesquisas mantiveram a disputa eleitoral apertada: Quaest mostrou Flávio à frente por 42% a 41%, AtlasIntel apontou 47,7% contra 47,4% e Datafolha registrou 47% contra 45%.
O caso Master ampliou a pressão sobre autoridades do STF, a PF e a PGR, afetando a percepção de risco dos ativos brasileiros.
O Ibovespa oscilou de 185.229,17 a 187.422,92 pontos e terminou a última sessão reportada aos 183.965,91 pontos, com bancos e Petrobras pressionados.
O dólar variou entre R$ 5,1029 e R$ 5,1937, enquanto o DXY avançou para 101,285 pontos e o Nasdaq encerrou a última sessão praticamente estável.
Relatório especial
Se antecipe aos movimentos do mercado
Prepare-se:
A semana de 28 de setembro a 2 de outubro de 2026 será marcada por indicadores de inflação, atividade econômica, mercado de trabalho e contas públicas no Brasil e no exterior. As divulgações devem orientar as expectativas sobre crescimento, juros e condições financeiras.
No cenário internacional, os destaques ficam para o PIB do Reino Unido, os dados de inflação da Alemanha, França e Zona Euro, os PMIs industriais e o mercado de trabalho dos Estados Unidos. No Brasil, a agenda concentra o Boletim Focus, o IGP-M, os dados de emprego, as contas públicas e a Produção Industrial.
Inflação e atividade
orientam as expectativas globais
A agenda internacional combina indicadores de inflação e atividade. Na quarta-feira, o PIB do Reino Unido e os dados de preços da Alemanha e da França ajudam a atualizar a leitura sobre crescimento e inflação. Na quinta-feira, os PMIs Industriais de várias economias europeias e dos Estados Unidos oferecem uma fotografia atualizada da atividade global.
Na terça-feira, a Decisão da Taxa de Juros da Austrália e os PMIs da China podem influenciar moedas e commodities. Na sexta-feira, o payroll americano, a Taxa de Desemprego nos EUA e o Ganho Médio por Hora Trabalhada concentram a atenção sobre o mercado de trabalho.
Por que isso importa:
• PMIs e dados de atividade funcionam como indicadores antecedentes para o ritmo de crescimento econômico.
• A combinação de inflação, PIB e PMIs ajuda a avaliar a composição e o ritmo da atividade.
• Os dados de emprego dos EUA e a inflação europeia ampliam a leitura sobre demanda e condições financeiras.
Emprego, inflação
e condições financeiras
A semana reúne a Decisão da Taxa de Juros da Austrália e dados de inflação das principais economias. Na Europa, os índices de preços da Alemanha, França e Zona Euro ajudam a atualizar a percepção sobre a política monetária do Banco Central Europeu.
Nos Estados Unidos, a Variação de Empregos Privados ADP, as Ofertas de Emprego JOLTS, o payroll, a Taxa de Desemprego e os salários ajudam a calibrar as expectativas para o Federal Reserve. Os dados do PCE também serão acompanhados como referência de inflação.
Por que isso importa:
• Emprego e inflação influenciam as expectativas para juros, moedas, crédito e ativos de risco.
• Os dados de emprego e inflação orientam a leitura sobre a política monetária americana e europeia.
• Payroll, PCE e PMIs ajudam a medir a transmissão da atividade para a inflação e as condições financeiras.
A economia mundial está ficando desconfiada dos EUA
A dominância econômica dos Estados Unidos enfrenta novos desafios à medida que investidores globais e bancos centrais iniciam um movimento de distanciamento dos ativos americanos e do dólar. O cenário é marcado pela fuga de capitais para destinos alternativos e pela repatriação de reservas de ouro, motivadas por preocupações com a sustentabilidade da dívida nacional e o uso estratégico de sanções financeiras. O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos atingiu seu nível mais alto desde 2007, sinalizando rachaduras na percepção do país como um porto seguro para o investimento global.
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Estranho e maravilhoso, museu de George Lucas chega a Los Angeles
Com um investimento superior a US$ 1 bilhão, o Museu Lucas de Arte Narrativa surge em Los Angeles como um marco arquitetônico futurista que abriga o vasto acervo pessoal do cineasta George Lucas. O espaço de quase 28 mil metros quadrados combina tecnologia de ponta, jardins suspensos e uma coleção diversificada que vai de relíquias de "Star Wars" a obras de Frida Kahlo, estabelecendo-se como uma catedral para os contadores de histórias que abre ao público em 22 de setembro. A estrutura monumental, assinada pelo arquiteto Ma Yansong, promete transformar a paisagem urbana e a dinâmica cultural da região com uma proposta ambiciosa de inclusão e design disruptivo.
Brasil: contas públicas,
emprego e produção
A agenda doméstica começa com o Boletim Focus, o Investimento Estrangeiro Direto (USD) e as Transações Correntes (USD). Na terça-feira, o IGP-M, os Empréstimos Bancários, a Taxa de Desemprego no Brasil e o CAGED atualizam a leitura sobre inflação, crédito e mercado de trabalho.
Na quarta-feira, a Dívida Bruta/PIB, o Superávit Orçamentário, o Balanço Orçamentário, a Dívida Líquida/PIB, a Taxa de Longo Prazo TLP e o IPP concentram a agenda fiscal e de preços. Na sexta-feira, o IPC-Fipe e a Produção Industrial, nas leituras mensal e anual, encerram a semana.
Por que isso importa:
• O Boletim Focus reúne as expectativas do mercado para inflação, atividade e juros.
• Emprego, crédito e contas públicas mostram a dinâmica da atividade interna.
• A Produção Industrial e o IPC-Fipe atualizam a leitura sobre atividade e inflação brasileira.
Resumo da semana
• Segunda-feira (28/09)
No Brasil, a semana começa com o Boletim Focus, o Investimento Estrangeiro Direto (USD) e as Transações Correntes (USD).
• Terça-feira (29/09)
A terça-feira reúne a Decisão da Taxa de Juros da Austrália, o IGP-M, a Taxa de Desemprego no Brasil e o Índice de Evolução de Emprego do CAGED. Nos EUA, saem a Confiança do Consumidor CB e as Ofertas de Emprego JOLTS. A China divulga os PMIs Industrial, não-manufatura,
Composto e Caixin.
• Quarta-feira (30/09)
A quarta-feira concentra o PIB do Reino Unido, dados de inflação da Alemanha e da França e indicadores fiscais do Brasil. Nos EUA, destaque para a Variação de Empregos Privados ADP, o Núcleo do Índice de Preços PCE, o Índice de Preços PCE, os Gastos Pessoais e o PIB dos EUA. O Japão divulga os índices Tankan.
• Quinta-feira (01/10)
A quinta-feira concentra os PMIs Industriais de Espanha, Suíça, Itália, França, Alemanha e Zona Euro. Nos EUA, saem os Pedidos Iniciais e Contínuos por Seguro-Desemprego, o PMI Industrial e o PMI Industrial ISM. No Brasil, o destaque é o PMI Industrial S&P Global.
• Sexta-feira (02/10)
A sexta-feira será dominada pelo Relatório de Emprego (Payroll) não-agrícola dos EUA, pela Taxa de Desemprego nos EUA e pelo Ganho Médio por Hora Trabalhada. Na Europa, saem o IPC Zona do Euro e o IPC-núcleo. No Brasil, a agenda inclui o IPC-Fipe e a Produção Industrial, nas leituras mensal e anual. O dia termina com as Encomendas à Indústria e a Contagem de Sondas Baker Hughes nos EUA.
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Os números ajudam a dimensionar o avanço. Os emplacamentos de marcas de origem ou controle chinês passaram de 169,3 mil unidades em 2024 para 244,9 mil em 2025, uma alta de 44,7%, segundo levantamento da K.Lume Consultoria. Apesar do crescimento, BYD, Caoa Chery e GWM concentraram 93,6% das vendas de carros de passeio e comerciais leves chineses no país no ano passado.
A ofensiva também começa a mexer nos preços e no mercado de usados. Especialistas ouvidos pela reportagem da nossa jornalista do setor automotivo Lucia Camargo apontam que a maior oferta aumenta a pressão sobre as margens das montadoras e concessionárias e pode acelerar a depreciação dos seminovos.
Ao mesmo tempo, eletrificados usados de BYD e GWM apresentaram giro mais rápido nas lojas, mostrando que a disputa chinesa já vai além dos lançamentos e começa a alterar a dinâmica do mercado.
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