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Cenários e Mercado

1. Cenário global e geopolítica

A semana foi marcada por forte aversão a risco nos mercados globais, deterioração das expectativas fiscais no Brasil e tensões persistentes no Oriente Médio. A discussão sobre juros americanos elevados por mais tempo, a desaceleração europeia e os impactos econômicos da guerra envolvendo Irã, Israel e interesses dos EUA alternaram momentos de busca por proteção e tentativas de recuperação técnica.

O PIB americano do terceiro trimestre avançou 3,4% anualizado, acima da expectativa de 3,2%, enquanto os dados europeus mostraram quadro desigual: Alemanha +0,2%, França -0,1%, Itália estagnada e Espanha +0,6%. O Brent oscilou entre US$ 110 e US$ 116 por barril, em meio a tensões no Oriente Médio e relatos de preparação americana para possíveis ofensivas contra o Irã após as eleições legislativas dos EUA.

A fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA e declarações de Donald Trump questionando o processo eleitoral brasileiro foram interpretadas pelo mercado como fator de enfraquecimento da oposição e possível reorganização da base governista. Nos EUA, balanços de Alphabet e Amazon reacenderam dúvidas sobre fluxo de caixa e retorno dos investimentos em IA, provocando volatilidade em tecnologia, especialmente no Nasdaq.

2. Política monetária e inflação

A política monetária global seguiu no centro da precificação, com investidores ajustando expectativas para juros elevados por período prolongado. O Federal Reserve manteve a taxa entre 3,75% e 4,0% e preservou o viés hawkish, embora Kevin Warsh tenha adotado tom marginalmente mais brando ao apontar efeitos já visíveis do aperto monetário.

O PCE cheio acelerou a 3,6% em 12 meses e o núcleo chegou a 3,1%, reforçando a percepção de inflação resistente nos EUA; o mercado passou a atribuir cerca de 75% de probabilidade a uma nova alta em dezembro. A Treasury de dez anos chegou a superar 5% antes de devolver parte do avanço, e o dólar permaneceu forte, apoiado pelos juros e pela busca por proteção.

O BCE manteve os juros em 2,5% diante da atividade enfraquecida, da crise fiscal francesa e dos riscos inflacionários da guerra; prevaleceu a expectativa de apenas mais uma alta residual em dezembro. O Banco do Japão manteve a taxa em 1,25%, mas elevou projeções de inflação para 2027. No Brasil, após a eleição, o mercado deixou de apostar em cortes relevantes da Selic e passou a precificar manutenção em 13,75% e possibilidade de alta em 2027.

3. Brasil: Macro, fiscal e política

A reeleição de Lula deteriorou as expectativas fiscais e provocou forte reprecificação dos ativos brasileiros. O mercado migrou rapidamente da expectativa de continuidade dos cortes da Selic para cautela extrema, diante do risco fiscal, das dúvidas sobre a equipe econômica e do receio de expansão dos gastos; a desmontagem de posições pró-Flávio ampliou a volatilidade.

Antes da eleição, eram esperados mais dois cortes de 0,25 ponto na Selic até o fim de 2026; depois, a manutenção em 13,75% tornou-se o cenário predominante, com parte do mercado projetando altas em 2027 e a curva chegando a embutir cerca de 15% em prazos longos. As projeções para inflação de 2027 passaram de 4,34% a 4,74% e para o dólar, de R$ 5,15 a R$ 5,35; HSBC e ASA também revisaram estimativas de juros e inflação para cima.

O governo tentou sinalizar compromisso fiscal, e a possibilidade de Rafael Fonteles na Fazenda foi recebida positivamente por sua reputação técnica; falas de alas do PT contrárias a cortes reacenderam a volatilidade. Na economia real, o desemprego caiu a 5,2% no trimestre até setembro e a ocupação bateu recorde de 103,6 milhões. O mercado de trabalho apertado reforçou a resiliência da atividade e limitou apostas em flexibilização monetária acelerada.

4. Mercados financeiros

Os ativos brasileiros viveram uma semana de estresse, com circuit breaker, saída de capital estrangeiro, alta do dólar e abertura da curva de juros. O Ibovespa acumulou perdas após a reeleição de Lula, em meio à desmontagem de posições eleitorais pró-Flávio e à piora da percepção fiscal; intervenções do Tesouro e a expectativa de uma equipe econômica técnica reduziram parcialmente a volatilidade.

Na segunda-feira pós-eleição, o Ibovespa chegou a cair mais de 17% intraday e acionou circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia. O dólar superou R$ 5,60 e fechou em alta de 8,2%, maior valorização diária desde 1999; juros futuros dispararam, com vencimentos longos acima de 15%. Exportadoras e empresas dolarizadas ofereceram proteção parcial, enquanto consumo, varejo, construção e bancos sofreram quedas fortes.

Em Wall Street, o alívio com o tom de Warsh alternou com preocupações sobre o caixa das empresas de tecnologia. A Alphabet perdeu cerca de meio trilhão de dólares em valor de mercado e a Amazon ampliou dúvidas sobre custos de IA, mantendo o Nasdaq volátil. O petróleo seguiu pressionado pelo Oriente Médio; o minério de ferro teve recuperação pontual, favorecendo parcialmente a Vale.

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